Postagem em destaque

Projetos mais ousados para reconstruir o telhado da Notre-Dame

http://br.rfi.fr/franca/20190503-veja-os-projetos-mais-ousados-para-reconstruir-catedral-notre-dame

Total de visualizações de página

domingo, 8 de abril de 2018

Como o Brasil entrou na Segunda Grande Guerra?


https://www.youtube.com/watch?v=iH2TICEqEVg

Modelo de Roteiro com Base  na Peça: O Auto da Compadecida


Gênero Dramático: 

Ao gênero dramático, pertencem as obras que foram produzidas para serem encenadas sobre o palco. Logo, para que um texto dramático se concretize, é imprescindível que ele conte com a participação de atores (elenco), de um diretor ou diretores (que vão dirigir as cenas), de sonoplastas (arranjadores musicais), de iluminadores, de maquiadores, de figurinistas (é importante que as roupas sejam de acordo com a época representada, com exceção de uma obra adaptada para outro período), de roteiristas, de cenógrafos e grande equipe técnica. É claro que um texto dramático pode ficar apenas no papel, ou seja, sem ser encenado, no entanto, ele foi feito para ser levado ao palco e, por isso, possui algumas peculiaridades inexistentes no gênero lírico e narrativo. Como, por exemplo:

Em um Gênero Lírico é importante observar o Eu-Lírico – a voz que fala no texto. É um texto dividido em estrofes. No Gênero Narrativo, é importante observar o tipo de narrador que conta a história (Personagem, Observador ou Onisciente), além disso, o texto é dividido em capítulos. Já no Gênero Dramático, há a presença das rubricas, que são observações importantíssimas aos atores e diretores para saberem agir e de que forma agir no palco (o palhaço atravessa o palco e sai de cena - entram as outras personagens cantando). Uma outra característica do Gênero Dramático é que os textos são compostos, quase que em sua totalidade, por discurso direto – quando a fala da personagem é exposta literalmente. 



Exemplo  baseado em uma peça teatral, que além de ter sido encenada diversas vezes,  foi transformada em filme.





O Auto da Compadecida foi escrito com base em romances e histórias populares do Nordeste. Sua encenação deve, portanto, seguir a maior linha de simplicidade, dentro do espírito em que foi concebido e realizado. O cenário (usado na encenação como um picadeiro de circo).  O autor gostaria de deixar claro que seu teatro é mais aproximado dos espetáculos de circo e da tradição popular do que do teatro moderno.


Rubrica - Ao abrir o pano, entram todos os atores, com exceção do que vai representar Manuel, como se tratasse de uma tropa de saltimbancos, correndo, com gestos largos, exibindo-se ao público.

Se houver algum ator que saiba caminhar sobre as mãos, deverá entrar assim. Outro trará uma corneta, na qual dará um alegre toque, anunciando a entrada do grupo. Há de ser uma entrada festiva, na qual as mulheres dão grandes voltas e os atores agradecerão os aplausos, erguendo os braços, como no circo. A atriz que for desempenhar o papel de Nossa Senhora deve vir sem caracterização, para deixar bem claro que, no momento, é somente atriz. Imediatamente após o toque de clarim, o Palhaço anuncia o espetáculo.

PALHAÇO, grande voz
Auto da Compadecida! O julgamento de alguns canalhas, entre os quais um sacristão, um padre e um bispo, para exercício da moralidade.
Toque de clarim.

PALHAÇO
A intervenção de Nossa Senhora no momento propício, para triunfo da misericórdia.
Auto da Compadecida!

Toque de clarim


A COMPADECIDA

A mulher que vai desempenhar o papel desta excelsa Senhora, declara-se indigna de tão alto mister.
Toque de clarim.

PALHAÇO

Ao escrever esta peça, onde combate o mundanismo, praga de sua igreja, o autor quis ser representado por um palhaço, para indicar que sabe, mais do que ninguém, que sua alma é um velho catre, cheio de insensatez e de solércia. Ele não tinha o direito de tocar nesse tema, mas ousou fazê-lo, baseado no espírito popular de sua gente, porque acredita que esse povo sofre, é um povo salvo e tem direito a certas intimidades.
Toque de clarim.

PALHAÇO

Auto da Compadecida! O ator que vai representar Manuel, isto é, Nosso Senhor Jesus Cristo, declara-se também indigno de tão alto papel, mas não vem agora, porque sua aparição constituirá um grande efeito teatral e o público seria privado desse elemento de surpresa.
Toque de clarim.

PALHAÇO
Auto da Compadecida! Uma história altamente moral e um apelo à misericórdia.

JOÃO GRILO
Ele diz “à misericórdia”, porque sabe que, se fôssemos julgados pela justiça, toda a nação seria condenada.

PALHAÇO
Auto da Compadecida! (Cantando.) Tombei, tombei, mandei tombar!

ATORES (Respondendo ao canto)
Perna fina no meio do mar.

PALHAÇO
0i, eu vou ali e volto já.

ATORES, saindo
Oi, cabeça de bode não tem que chupar.

PALHAÇO
O distinto público imagine à sua direita uma igreja, da qual o centro do palco será o pátio. A saída para a rua é à sua esquerda.

(Essa fala dará ideia da cena, se adotar uma encenação mais simplificada e pode ser conservada mesmo que se monte um cenário mais rico.) O resto é com os atores. Aqui pode-se tocar uma música alegre e o Palhaço sai dançando. Uma pequena pausa e entram Chicó e João Grilo.

JOÃO GRILO
E ele vem eu estou desconfiado, Chicó. Você é tão sem confiança!

CHICÓ
Eu, sem confiança? Que é isso, João, está me desconhecendo? Juro como ele vem. Quer benzer o cachorro da mulher para ver se o bicho não morre. A dificuldade não é ele vir, é o padre benzer. O bispo está aí e tenho certeza de que o Padre João não vai querer benzer o cachorro.

JOÃO GRILO
Não vai benzer? Por quê? Que é que um cachorro tem de mais?

CHICÓ
Bom, eu digo assim porque sei como esse povo é cheio de coisas, mas não é nada demais.
Eu mesmo já tive um cavalo bento.

JOÃO GRILO
Que é isso, Chico? (Passa o dedo na garganta.) Já estou ficando por aqui com suas histórias. É sempre uma coisa toda esquisita.

Quando se pede uma explicação, vem sempre com “não sei, só

sei que foi assim”.

[...]

Fragmentos da Peça  O Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna


Observações:

Adaptar um romance para o teatro ou mesmo para o cinema, não é uma tarefa muito fácil, pois exigirá planejamento do grupo. Uma vez que são linguagens diferentes.  O primeiro passo é definir se será o livro todo ou cenas específicas e a partir disso, construir o roteiro.
No caso específico de um Curta – deve-se atentar para o  tempo limite de exibição. Além disso, especificar, no final do vídeo,  os responsáveis por cada parte do Curta:
·        Roteiro
·        Diretor de cena
·        Sonoplastia
·        Figurino
·        Atores
·        Cenário
·        Edição de imagens
·        Participação Especial (Caso houver)